sábado, 30 de abril de 2011

Uma análise do que sobrou do céu...

Ouvindo música, meu player parou na faixa 04 do cd lado b lado a, do grupo carioca, o rappa. Parei prá tentar entender a letra, já que estou num momento mais sensível, e vi realmente o quão ela é bonita e sugestiva.
E o mais intrigante é que ela é tão simples (falo de letra e música mesmo), que nos faz muitas vezes deixar passar despercebido a essência real dela.

O que sobrou do céu.
(o rappa)

"Faltou luz, mas era dia, o sol invadiu a sala. Fez da tv um espelho, refletindo o que a gente esquecia. Faltou luz, mas era dia."

 - Podemos deduzir que a partir do momento que nos desprendemos das coisas que nos alienam, conseguimos ver toda a beleza existente nas coisas que nos cercam. Por mais simples que sejam elas. O que na verdade é o grande arauto da letra: a simplicidade.
Ou também que na falta de discernimento, sempre vai ter alguma coisa que a gente esqueceu, nos dando a razão de viver, ou algum tipo de sapiência. Por isso: "faltou luz, mas era dia."

"o som das crianças brincando na rua como se fosse um quintal, a cerveja gelada na esquina como se espantasse o mal, um chá prá curar essa azia, o bom chá prá curar essa azia."
 
-Usando-se da idéia posta anteriormente, o compositor vai listando o que pode ser facilmente negligenciado pelas pessoas no seu dia-a-dia: Crianças com sua pureza de brincar e esquecer do mundo, e ao mesmo tempo sendo criativas, fazendo com que qualquer lugar seja lugar prá diversão e felicidade; o fato do bar ter se tornado um lugar prá reunir as pessoas que andavam dispersas e como se fizesse tudo ficar bem com as gargalhadas e toda a festa dessa reunião. Daí é como se sem querer ele perguntasse se existe coisa melhor no mundo que essas coisas simples.

"todas as ciências de baixa tecnologia, todas as cores escondidas nas nuvens da rotina, prá gente ver por entre prédios e nós, prá gente ver o que sobrou do céu."    

-Aqui tenta dar um sentido didático ao que havia citado anteriormente. Usando formas sintáticas e sinônimos apelativos para fazer o ouvinte se atentar sobre o tema e sua urgência. Quando fala em "ciências de baixa tecnologia", meio que se refere as artes, o lazer, o esporte, que de forma simples podemos alcançar, gozar delas. Conseguir ver as cores escondidas no concreto da cidade, no cinza da infelicidade, das mesmas coisas sempre e da preocupação. E observar além daquela coisa concentrada, irritadiça que é o nó. E finalmente ver o que sobrou do céu. Parecendo se apropriar da palavra céu ao se remeter àquele tempo passado, tempo de brincar na rua de pés descalços, na chuva, sem se preocupar com certas condições de atualmente. Que realmente é maravilhoso ter na vida: a simplicidade.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Recomendo.






     Bom demais ver Viva o Gordo, Tv Pirata, Som Brasil, Escolinha do Professor Raimundo, Chico Total, Os normais, Retrato Falado e Brava Gente no mesmo local.

sábado, 9 de abril de 2011

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinícius de Moraes

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Noctiluca- Jorge Drexler


La noche estaba cerrada,
Y las heridas abiertas.
Y yo que iba a ser tu padre buscaba sin encontrarme,
En una playa desierta.
Tenía la edad aquella en que la certeza caduca,
Y de pronto al mirar el mar vi que el mar brillaba con un brillar de noctilucas.
Algo de aquel asombro debió anunciarme que llegarías,
Pues yo desde mis escombros al igual que el mar sentí que fosforecía.
Supe sin entenderlo de tu alegría anticipada,
Un dia entenderás que habla de ti esta canción encandilada.
Brilla noctiluca,
Un punto en el mar oscuro,
Dónde la luz se acurruca.


sábado, 26 de março de 2011

Descobrindo o amor de novo...


Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso,
Só que agora é diferente:
Estou tão tranqüilo e tão contente.

Quantas chances desperdicei,
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém?!...

Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira,
Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber tudo.

Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.

Tão correto e tão bonito;
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos!
Sei que, às vezes, uso
Palavras repetidas,
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?

Me disseram que você
Estava chorando
E foi então que eu percebi
Como lhe quero tanto.

Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você.

Composição : Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Renato Rocha

Legião Urbana cover, campeã da primeira eliminatória do coverama 2011.



Obrigado a todos. Estamos na final. Nos vemos em novembro!

quinta-feira, 24 de março de 2011

Pele. Sentidos aguçados, arrepios...

 

Daniel na cova dos leões

Composição: Renato Russo / Renato Rocha

Aquele gosto amargo do teu corpo
Ficou na minha boca por mais tempo.
De amargo, então salgado ficou doce,
Assim que o teu cheiro forte e lento
Fez casa nos meus braços e ainda leve,
Forte, cego e tenso, fez saber
Que ainda era muito e muito pouco.
Faço nosso o meu segredo mais sincero
E desafio o instinto dissonante.
A insegurança não me ataca quando erro
E o teu momento passa a ser o meu instante.
E o teu medo de ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão.
Teu corpo é meu espelho e em ti navego
E eu sei que a tua correnteza não tem direção.

Mas, tão certo quanto o erro de ser barco
A motor e insistir em usar os remos,
É o mal que a água faz quando se afoga
E o salva-vidas não está lá porque não vemos.


 Como tinha prometido... ^^

domingo, 13 de março de 2011

Amar la trama- Jorge Drexler.. Um review. Uma análise.




Esse fabuloso cd do cantor e compositor Uruguaio, Jorge Drexler, é o divisor de águas da sua própria música. Altamente influênciado pelos ares cosmopolitas de Madri onde mora pouco mais de 10 anos, percebe-se nesse novo álbum uma alegria constante e letras mais descompromissadas, em relação ao "12 segundos de oscuridad".
Vê-se novidades no seu line-up e na sua sonoridade: acompanhado por trio de metais e por instrumentos que ainda não tinham sido usados em trabalhos anteriores seus. Seu setlist se equilibra em sons jazzísticos, batidas leves e contagiantes. Consegue tb livrar-se um pouco da bossa-nova brasileira que parecia incrustada na sua musicalidade. Adiquire, mais liberdade no encaminhamento de suas músicas dando verdadeiros clímax a elas.
E foi um álbum gravado totalmente ao vivo, num estúdio de tv adaptado. Foram escolhidas a cada take 20 pessoas escolhidas ao acaso para acompanhar a gravação, para que o Drexler pudesse "sentir" o álbum, e quais mudanças deveriam ser feitas a partir das reações do público. Ou seja, um álbum atípico.


 Então vamos ao set list:

1. Tres mil millones de latidos: Sem dúvidas não há forma melhor de começar o álbum. Tres mil millones, dá uma intensa sensação de instiga, de vontade, querer sentir a música entrando por entre seus ouvidos e que ela ela siga pelo seu cérebro e adentre seu corpo. Muito cativadora, possui um violão de início marcante, tanto como um riff do pixies, seguida de uma percussão intrigante e dos metais dando a entender como será o restante do disco. E com certeza, um dos títulos mais inteligentes que eu já vi. Prá quem não sabe, "3 mil milhoes de batidas" é o que o coração normalmente bate durante a vida de um ser por 80 anos. Com esse título Drexler debruça-se na idéia de que temos de viver a vida e não estar só de passagem. 
Até a ausência da bateria comendo e o final com a arte dos metais dá um tom diferente à apresentação desse álbum.

2. La Trama y el desenlace: Dando seguimento a onda de luz da primeira faixa do cd, Drexler introduz ao ouvinte uma novela amorosa, que parece ser a dele mesmo, ou de algum casal que ele havia observado.
E já nos delicia de cara com uma gaita bem atraente. Seu seguimento e seu corpo harmônico, dão sensação de uma história mesmo. Uma novela que vai tendo seus capítulos destrinchados com as passagens da música, tendo seu clímax no refrão. Nos mostrando que a história não tem fim e o que importa é a trama e não o resultado. A grande sacada dessa trilha, é exatamente o jogo de palavras, o cultismo, e em certas horas o casamento entre letra e música. Além dos backing vocais, muito bem feitos pela banda.


3. Las transeuntes: outra trilha que possui em sua essência o comum. Perde-se em observações e devaneios.
De cara, ao ouvi-la nos imaginamos exatamente numa mesa de um restaurante observando a janela. E realmente tendo os transeuntes como peças centrais daquele momento. 
É de uma felicidade difícil de se encontrar nas músicas do Drexler. Dá uma vontade louca de cantar o refrão logo à primeira ouvida.
Ainda de sobra tem-se uma "spanish guitar", fazendo um belo solo no meio da música e vários belos arranjos. Os quais podem ser ser considerados alguns dos melhores do disco. Indubitavelmente.

4. La nieve en la bola de nieve: O som mais intrigante desse álbum, sem dúvidas. A total coesão entre letra, música e instrumentos. Muito bem executada. Com maravilhosos arranjos de baixo, bateria e percussão. Drexler nessa canção dá vazão à sua veia intimista e até um pouco depressiva. Eu até diria que essa letra é uma jóia para os professores de língua por suas elementais propriedades redativas.

5. Mundo abisal: Para muitos, a obra prima desse cd. Decerto, uma maravilhosa viagem ao inconsciente feminino vista por um homem, a partir de uma relação sexual. Pelo menos assim vejo essa canção. Drexler, conseguiu usar várias figuras de linguagem de forma sutil. E sinceramente, o início da música tem uma atmosfera tão aclimatadora à música, que quando a canção realmente começa, é impresionante como ela delicia. Violão, percussão, bateria e baixo, casando de forma sensacional.
Mas realmente a percussão dela introduz a atmosfera de inflexão da canção e isso se vê bem na parte: "..muestran los dientes..".
Acompanhado dos backing vocais, seguindo fielmente o som.
Existe também, que precisa de menção, o solo de sax, que maravilhosamente abre o final da música. Que tem sua cereja com os backings do fim.

6. Toque de queda: Um tanto abstrata. Fala do toque de recolher (?). Possui um ritmo distinto das demais do cd, tem na simplicidade seu apelido. É cantada por Drexler e sua atual esposa, a atriz Leonor Watling. Que aliás, tem uma voz dura, impactante, diria. E encaixou perfeitamente com a música e com a idéia de desespero que a letra tenta passar quando começar a falar em solidão.
Agradabilidade e "destom". Acho que seriam essas as sensações passadas pela canção.
Tem-se notável também na canção o belo solo de trompete, muito bem executado. Graças à ele tem-se dimensão da intensidade de solidão que se há no ambiente.

7. Una canción me trajo hasta aquí: Parece-me uma canção autobiográfica. E particularmente umas das que mais gosto. Drexler põe nessa canção toda sua espiritualidade. Percebe-se isso pela sua levada prá cima. Existe uma felicidade escancarada em sua letra. E até diria mais: É um ode à sua carreira, e pela possibilidade de fazer o que gosta. Até porque o Drexler é médico e abandonou a outra profissão por amor à música. É de verdade, mais um show dos metais.

8. Aquiles por su talón és Aquiles: Como disse o próprio Drexler: "Não importa o quão forte seja o Aquiles, invariavelmente por causa do seu calcanhar, Aquiles volta a ser Aquiles." 
Uma melodia doce, misteriosa, um tanto poderosa até...no momento em que cresce. Mas de fato, bem sensual.

9. I don´t Worry about a thing: Um cover. Sim, um maravilhoso cover do Mose Allison, com um toque latino do Drexler junto a voz belíssima do Ben Sidran. Uma mistura gostosa de ouvir. Aos primeiros acordes nossos ouvidos já dão boas-vindas à destreza da voz do Drexler em dizer que "não liga prá nada"..
Uma melodia de fácil acompanhamento. Um ritmo bem dançante e amistoso. Ajudado pelo solos de sax e de órgão que dão um toque à mais.. E essa é uma das poucas canções em que a bateria realmente faz um "feijão-com-arroz", algo simples. M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A.

10. Noctiluca: Minha preferida. Carrega em si uma carga emotiva inimaginável. Uma música prá poder viajar e pensar nas coisas mais valiosas da vida. 
O Drexler fez essa canção em Cabo Polônio, uma região ao norte do Uruguai. E é tida como continuação da canção "12 segundos de oscuridad", do cd homônimo. "12 segundos" fala especificadamente de como pode-se estar perdido e encontrado em tão pouco tempo, além de declarar sua angústia naquele momento de vida, a qual se encontrava em momentos de distância e perdas. Já "noctiluca", fala da surpresa de naquele mesmo momento em que tudo se está perdido, receber a notícia que seria pai novamente. E de perceber que ainda existe vida, mesmo quando tudo parece perdido. 
Me parece que o título que Drexler deu para a música foi oportuno.
Prá quem não sabe, Noctiluca, é uma espécie de protista que quando atiçado produz uma luminosidade, que à noite, é um espetáculo natural muito lindo. Drexler os viu, e por esse brilho, comparou a beleza daquele momento com a sensação de ver novamente um filho seu poder nascer em um momento obscuro e sombrio de sua vida, como estava Cabo Polônio.
No cd, Drexler executa-a com a parceria e a ajuda do seu filho mais velho, Pablo. E dá ainda mais carga emocional a ela.

11. Todos a sus puestos: Mais uma rendição de Drexler às percussões. Um simples voz e guitarra, acompanhado de alguns poucos arranjos de cordas e muitas variações de sopros e de percussões, tanto de efeito como de acompanhamento. Dando uma atmosfera sutil, como se prenunciase o fim do disco. De letra fácil e gostosa. 

12. Telón: Uma música típica de autoria do Jorge Drexler. Violão, voz, muito talento e um toque depressivo. De letra curta, é a melhor forma de dar adeus a um belíssimo álbum. E ao mesmo tempo, ter vontade de apertar o play novamente.


Como fã, acredito ser este, o melhor, mais elaborado e mais inteligente álbum do cara. Mesclou tudo numa coisa só. Não é cansativo, repetitivo e nem enjoativo. Dá prá ouvir trilhões de vezes. 
É um álbum distinto, soa novo na coleção. Consegue encher um quarto vazio, facinho, facinho...
E como ele mesmo acredita: "la trama és mejor que el desenlace."

sábado, 12 de março de 2011

A dança- Pablo Neruda

"Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
Ou flecha de cravos que propagam fogo:
Te amo como se amam certas coisas obscuras,
Secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e
Leva dentro de si, oculta, a luz daquelas flores.
E graças a teu amor, vive oculto em meu
Corpo o apertado aroma que ascende da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde.
Te amo diretamente sem problemas nem orgulho;
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

Senão assim, deste modo, em que não sou nem és.
Tão perto de tua mão sobre meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho."

Este fragmento é uma parte do poema "cien sonetos de amor", no qual Neruda se predispõe a falar exclusivamente sobre o amor e suas inclinações... Esse trechinho tb foi recitado no Filme Patch Adams..
E só uma grande alma pode tera delicadeza e a sensibilidade de criar tal beleza..
Powered By Blogger